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reinventar mesmo que preciso , continuar, insistir e mesmo assim ouvir.Nascer , viver, morrer, e ainda assim progredir, tal é a lei. ( A. K )

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Kirling o marinheiro


Vivíamos como a espreitar por descobertas, por honras e condecorações, o que nos importava
eram os brotões de prata e ouro.
Homens honorários e sábios, que nestes ventos eu pousei meu corpo escopo, haviam em boa monta,
e eram aclamados pelas côrtes e muitas das vezes sustentados, afim de obterem a hegemonia
mercantil, quando de seus protegidos emergissem algo de novo.
Os idos de 1490 – 1523 foram particularmente inebriantes, e lhes digo que ainda sondam meus sonhos
como se fossem uma velha águia. Sempre que podia estava a postos para mais uma viagem.
Os cuidados acurados aos homens de sal, digamos que apodreciam junto aos galeõs que ousassem
aprofundar viagem nas curvas em que sopram o diabo.
Amigos de embriagues eu vi morrer, alguns por puro azar e outros todo tipo de moléstia os levaram.
Haviam também todo o tipo de desmando ao corpo, que ansiavam por sexo nos portos alheios, e sem
verem o interior dos corpos loiros, ruivos e morenos, a peste do pecado abatia a muitos.
Com tratamentos aberrados alguns renasciam e outros padeciam aos poucos até a morte.
Queixo-me um pouco, pois a vida marinha de descobertas não me deram mais do que alguns dobrões,
padecendo sem mulher e sem filhos que chorassem a minha morte. Não contemplei mais do que os
animais que levávamos em incursões, e acho que o que vislumbravam fora o mesmo que eu.
Sinto-me vazio pelo vento que não enchem meus pulmões, embora eu o veja soprar
De pouco a pouco e como se fossem o ritmo das caravelas, eu sinto que minha visão muda num vagar de
profunda calmaria, e quando, não sei se em sonhos vejo a alguma terra que me aproxima, eu grito como
nos velhos tempos, ´´ terra a vista `` , mas como uma miragem elas se esvanecem nas águas do meu
Pensamento.
Estou à deriva.

Heber

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